27/10/2008

Uma Lenda Viva do Pandeiro

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BOTUCATU: Jorginho do Pandeiro é um músico querido e lendário. Tocou inúmeras vezes com músicos no naipe de Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Aos 78 anos, o divertido pandeirista mostra muito mais que histórias (boas) para contar. No palco, é uma sumidade: com pique de sobra, destila seu peculiar jeito de tocar com muita garra. Cativa a platéia.

Fora dos palcos, seu carisma também contagia o ambiente. Não existe tempo ruim nem baixo astral. Jorginho do Pandeiro é uma figura muito bem humorada e piadista. Impossível ficar perto dele e não cair na risada. Esse tem sido um dos melhores temperos da maratona de artes promovida pelo Sesc.

Aqui vai um breve papo com Jorginho do Pandeiro, durante o trajeto Piracicaba-Botucatu:

Circuito Sesc de Artes: Como você começou a tocar pandeiro?

Jorginho do Pandeiro: Eu tinha 6 para 7 anos. Na minha casa sempre teve músicos. Quase todo final de semana havia baile em casa. O pessoal dançava na sala e o conjunto ficava no quarto. A casa ficava cheia, mas eu não queria saber de ir à festa, na sala. Só queria ficar no quarto, ao lado dos pandeiristas, assistindo a eles tocar. Fui observando e aprendendo sem ninguém me ensinar. Passei a tocar e ganhei meu primeiro pandeiro.

CSA: Quando você estreou sua carreira?

JP: Comecei no rádio, aos 14 anos, tocando pandeiro.

CSA: O Época de Ouro foi fundado pelo Jacob do Bandolim. O que poderia contar sobre ele?

JP: Tem gente que diz que ele era uma pessoa muito séria, severa. Mas não era assim. Severo, o Jacob era somente com ensaios, repertório, harmonias. Ele queria tudo certo e bem feito. Ele gostava de brincar e fazer piadas. Foi ele quem fez a primeira foto do meu filho Jorginho [que toca cavaquinho no Época de Ouro]. Ele gostava de fotografia e, um dia em casa, falou: “Fique ao lado de sua senhora com seu filho, que eu vou tirar uma foto de vocês”.

CSA: E como era tocar com o Pixinguinha?

JP: Era uma beleza! O Pixinguinha era uma pessoa que quase não falava, muito reservada, mas era muito bom e humilde. Fiz vários shows. O Pixinguinha era fora de série, sabia tudo. Um gênio mesmo.

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