03/11/2008

Lá vem o trem

circuito_sesc_de_artes_pirassununga_0031.jpg

PIRASSUNUNGA: Próxima parada Estação Pirassununga. Os painéis com a exposição de artes “Na Tabua”, que alia literatura, ilustrações e poesia ficaram no centro da antiga Estação da Fepasa e o palco principal ficou ao fundo. Tudo com muito romantismo, lembrando os velhos tempos que as estações ferroviárias eram um charme de elegância. Ainda bem que não derrubaram o prédio, virou centro cultural.

Lê da nossa letra, mas não fala nossa fala - Parte 3

OSASCO: O Quinteto Violado já está com as malas prontas para o vôo de hoje rumo a Recife. Foi uma semana no hotel, muito trabalho dedicado ao Circuito e muitas palavras que tiveram que repetir para que o interlocutor entendesse. Por isso, antes de descansarem para a viagem, contribuíram com a terceira parte do nosso dicionário:

abarcar (ver): sair, ficar; p - pegar
acunha (subs): pegar a pessoa objeto do desejo de forma expressiva; p – pegada monstra
amuquecar (ver): desmaiar, desfalecer�
banana comprida (subs): p – banana da terra
banana d´água/banana caixão (subs): p – banana nanica
batente (subs): sarjeta; p - guia
cabra (subs): qualquer pessoa do sexo masculino
carraspana (subs): cachaça, pinga
devolver a canjica/lançar (exp): expelir pela boca substâncias que já estavam no estômago, vomitar; p - gorfar
e a poi (exp): de acordo; p – certo, meu
estar de fuleragem (subs): estar de gozação; p – tá zuando
faz-me rir (subs): dinheiro; p - grana
genzo/come no sábado/fura-pacote (adj): cão que não tem dono; p – vira-lata
mangar (ver): tirar sarro de alguém; p - zoar
matuto (subs): cabra do interior; p - caipira
miúdo/peitica (subs): se engraçar com o outro. “Tá querendo miúdo”; vuco-vuco.
môco (adj): pessoa surda
peba (adj): coisa que não tem qualidade; p – não presta
show 0800 (exp): show de graça; p – na faixa
tirinete (subs): rotina, ritmo; p – dia-a-dia

Lê da nossa letra, mas não fala nossa fala? - Parte 2

RIO GRANDE DA SERRA: Os mineiros também falam difícil à vezes, uai! Vamos ver as contribuições da Quik Cia de Dança, de Beagá. Não se esqueçam que ‘p’ é “paulistês”.

aqui… (int): usa-se para começar qualquer frase em mineiro; p – então…
banana caturra (subs): p - banana nanica
bão dimais da conta (exp): coisa muito agradável
jacu (adj): pessoa que ão tem muito jeito para as coisas; p – mané
jeca (adj): pessoa que não se veste muito bem, segundo o gosto mineiro; p - brega
nu! (int): nossa senhora!; p – nossa!
pão de sal (subs): p - pão francês
pertim (adj): p - longe pra caramba
tamburete (subs): banco de sentar; p - banquinho
trem (subs ind): qualquer objeto que se queira pegar, falar ou pensar; p – troço
(pron): tu, você, o outro; p – cê
uai (int): uai é uai, uai!

Os mineiros ainda contaram muitas piadas sobre sua maneira de falar. Uma delas conta que mãe e filha estavam esperando o trem na estação, quando o trem chegou a mãe disse para a filha: _ Fia, pega os trem que a coisa tá vindo.

Dia surpresa

rgdeserra_surpresa_web.jpg

RIO GRANDE DA SERRA: O tempo instável da região de Rio Grande da Serra transformou o dia numa verdadeira surpresa. Logo na saída do ônibus do hotel em São Bernardo os grupos já foram informados que alguns problemas surgiriam por conta do tempo úmido na serra.

Para contornarmos todos juntos os imprevistos, foi decidido que os quatro grupos se apresentariam num mesmo local, a quadra da cidade cedida pela prefeitura. O desafio agora é conciliar a montagem e passagem de som de alguns com o espetáculo de outros. A Quik Companhia de Dança não se apresentou.

A logística de montagem, passagem de som, aquecimento, maquiagem, tudo o que acontece antes do espetáculo, pode ser bastante complicada quando não se está em uma cidade conhecida, com tempo instável e coisas esquecidas pelo caminho. Porém, os grupos desse Circuito estão lidando muito bem com os imprevistos, sempre de bom humor, vão lá, todos juntos para o show não parar de rolar. Vambora, gente!

A despedida do Circuito

AMERICANA: Claro que toda despedida nos deixa tristes, mas apesar de ser o último dia do Circuito, todos aproveitaram e se divertiram muito.

O Grupo Fora do Sério de Teatro almoçou com algumas pessoas da equipe do Sesc, brincaram e foram embora de van para Ribeirão Preto, menos Luis de Toledo que ainda ficou para aproveitar os últimos momentos.

Permanência no olhar foi embora mais cedo para descansar no hotel em Campinas e voltaram para São Paulo somente no Domingo.

Grupo Nova Dança 4, Marina do Risco, Luis Carlos Vasconcelos (o palhaço Xuxu), Luis de Toledo, Heloísa, eu e a Banda Mantiqueira voltamos juntos após a apresentação da Banda. Eles ainda tiveram pique para fazer uma saídeira num barzinho próximo ao hotel.

Agradeço aqui a toda equipe do Sesc por ter feito um projeto tão perfeito e rico, em pensar em levar arte e cultura à população, em algumas das cidades em que passamos nem cinema tinha, imaginem a alegria de ter a oportunidade de ver um evento tão grande quanto o Circuito Sesc de Artes.

Parabenizo Sérgio e Heloísa que deram o máximo para que tudo saísse perfeito, trabalhando de sol a sol, vencendo o cansaço, para depois se gratificar por cada gota de suor caída, contemplando os brilhos de cada olhar, de cada sorriso e de cada aplauso, pois na verdade os aplausos também foram para eles.

Sinto-me orgulhosa e realizada por ter tido a oportunidade de conhecer tanta gente interessante e por ter participado do Circuito registrando cada momento.

Agradeço mais uma vez e parabenizo cada profissional envolvido e deixo aqui um beijo no coração de todos!

Até a próxima!

Andréia Marucci (blog - Circuito Sesc de Artes – Campinas)

Lê da nossa letra, mas não fala nossa fala?

riogdeserra_oigale_web.jpg

RIO GRANDE DA SERRA: Tem gente de todo lugar: São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. E grupo de teatro a gente sabe como é: são extrovertidos, desenvoltos, tem piadas internas, objetos não-identificados, aquecimentos estranhos, além de gírias e expressões que trazem de suas terras.

Para tentar fazer o povo se entender, vamos criar um dicionário. Se faltarem verbetes, todos podem comentar e resolver o problema da comunicação nesse Circuito.

Vamos primeiro com a turma do Oigalê, de Porto Alegre, que está em primeiro lugar das línguas com mais expressões desconhecidas dos paulistas. O próprio elenco - Gian, Paulinho, Roberta, Carla, Juliana e Pecoits – realiza a difícil façanha de definir as expressões que usam a toda hora, desde os triviais (tribom, trilegal) até ‘oigalê’, que dá nome ao grupo. Reunimos muitas palavras e colocamos as expressões em “paulistês” seguidas do ‘p’. Dá uma olhada no resultado:

bagual (adj): pessoa grosseira, rude; p - troglodita.
bah! (int): síntese para barbaridade; p – nossa!
bem capaz (exp): expressão usada quando não se quer fazer algo; p - de jeito nenhum.
bicho chucro (adj): pessoa sem muitos atrativos intelectuais; p – sem noção.
branquinho (subs): doce à base de coco com leite condensado enrolado em pequenas bolinhas; p – beijinho.
bulicho (subs): do espanhol, armazém que tem de tudo; p – mercadinho.
cassetinho (subs): pão de 50g crocante por fora e macio por dentro; p – pão francês.
china (adj): prostituta.
chinaredo (subs): lugar onde trabalham as chinas.
cusco (adj): cão que não tem dono; p – vira-lata.
entrevero, vuco-vuco (subs): bagunça; p – muvuca.
estar de várzea (exp): ficar sem fazer nada; p – estar de bobeira.
guaiaca (subs): cinturão de couro onde o gaúcho guarda o facão; p - só se usa guaiaca no Rio Grande.
negrinho (subs): doce à base de chocolate com leite condensado enrolado em pequenas. bolinhas; p – brigadeiro.
oigalê (pron.): saudação para um grupo de pessoas usada na fronteira; p – aê galera!
torrada (subs): sanduíche feito com pão de forma, queijo e presunto; p – misto-quente (pode-se ver “mixto-quente” em alguns botecos do centro da cidade).
tribom (adj): três vezes bom; p - bom pacas (pra ser um pouco retrô).
trilegal (adj): três vezes legal; p – super legal.
vivente (adj): criatura; pessoa que nasceu e existe; p – passante, cidadão. Ex.: “Ô vivente! Dá lincença para eu passar?”.

Os intraduzíveis – aguardamos iniciativas tivas de recriações dessas expressões para o paulistês
mais bonita que laranja de amostra (exp): mulher muito bem apessoada.
mais cheio que bolsa de china (exp): uma coisa muito cheia, quase transbordando.
mais folgado que peido em bombacha (exp): pessoa que não se sobrecarrega com as próprias tarefas.
mais ligado que rádio de preso (exp): pessoa que lida bem com os fatores concorrenciais de atenção.

Artista xinga blogueiro

parlapatoes41.jpg

TAUBATÉ: O artista alemão que integra os Parlapatões tem desacatado este blogueiro e os fotógrafos que se aglomeram em frente ao palco em todas as cidades por onde a trupe passa. “Non gosta de foto, atrapalha artista internacional, non fotografia, non risada, silência absoluta”, pede o antipático artista. 

“Precisa concentrason, meu númerra é internacional, foi pré-selecionado para Circo du Soleil”, reclama o artista. E não tem jeito, mesmo assim a criançada dá risada e o artista erra seu número, faz meleca, arrancando animadas vaias da platéia. Seria triste se fosse verdade, mas é só mais uma brincadeira do espetáculo Clássicos do Circo.

O personagem, interpretado neste Circuito pelo ator Henrique Stroeter, foi uma invenção de Hugo Possolo, que fazia o papel do artista chato no início dos anos 80, quando, antes de fundar os Parlapatões, trabalhava fazendo animação de festas infantis. Na companhia, o titular no papel é o ator Raul Barreto, mas Stroeter está se saindo muito bem provocando a criançada.

Este blogueiro promete continuar fotografando e provocando o artista chato, mesmo se ele for selecionado para o Cirque du Soleil.

Diego: o aprendiz de bailarino

imagens_itapetininga_0621.jpg

ITAPETININGA: O nosso iluminador Diego está se sentindo um artista, especialmente da dança. Ele tornou-se o responsável, com o passar dos dias, por marcar a luz para as apresentações de dança. O incrível é que ele faz isso dançando!

Segundo Vera, diretora da Quasar Cia. De Dança, o garoto tem futuro!

As crianças invadiram a praça

imagens_itapetininga_0461.jpg

ITAPETININGA: Tudo pronto para começar a penúltima apresentação teatral Infantil “Histórias da Caixola” … E na Praça Peixoto Gomide…Apenas os transeuntes diários. “Será que não vai aparecer ninguém?”, perguntávamos uns aos outros.

De repente, começam surgir crianças por todos os lados da praça. Nas vidraças das escolas que cercam a Peixoto Gomide e pelas ruas laterais. No final, cerca de 700 crianças curtiram a primeira atração do Circuito Sesc de Artes em Itapetininga. O maior público infantil entre as cidades por onde passamos. Um verdadeiro sucesso!

Para fechar com chave de ouro

tupa_todos_web.jpg
Artistas e equipe do Circuito posam para foto junto a alguns espectadores

TUPÃ: Praça principal: local onde ficam o Paço Municipal e Igreja Matriz da cidade. Esse foi o lugar escolhido para encerrar as atividades do roteiro de Bauru-Presidente Prudente, que teve início no dia 21 de outubro, em Ourinhos.

A praça ficou lotada para receber os artistas. Alguns espectadores se sentaram nas cadeiras disponibilizadas para o evento, outros preferiram ficar nos próprios bancos da praça e o cão rottweiller Burf, de 4 anos, preferiu assistir sentado na escadaria da igreja. Grande parte do público foi aos shows após sair da missa, outros foram chegando de outros lugares.

Para fechar com chave de ouro, durante apresentação de Chico César, a banda e o cantor tocaram junto com o grupo mineiro Osquindô. Enquanto eles interagiam, a Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros dançou no palco. O dia ainda favoreceu: Chico tem no repertório músicas de festa junina, mas ao invés de ter somente a benção dos três santos juninos, o paraibano contou com a sorte de tocar e cantar em pleno dia de todos os santos. O público realmente se sentiu no mês de junho e dançou quadrilha.

Marcio Libar, artista de rua, diz que “o Sesc se superou”. Ele comenta que o projeto gerou acesso à cultura com presença de artistas de Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Rio de Janeiro circulando pelo interior paulista. Para Libar, o Circuito Sesc de Artes foi um verdadeiro intercâmbio cultural em várias cidades.