31/10/2008

Transpiração

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LORENA: Na sinfonia patética das águas, parece que os Parlapatões já chamavam a chuva. As nuvens que cobriam a parte final da apresentação do grupo, aliviavam o calor dos atores e das crianças que assistiam a tudo sustentando sorrisos e risadas. E quem mais sofre com o calor que tem castigado o grupo é o ator Claudinei Brandão, artista de grande envergadura. Ele pesa 145 quilos “antes do almoço”. 

Este Circuito, segundo Claudinei, já entrou para a história. “As cidades em que sentimos mais calor em todos os tempos foram Presidente Prudente e Aparecida de Goiás, mas pode colocar aí no blog que Paraibuna já entrou entre as mais quentes também.” Naquela jornada, a trupe até cortou uma cena do espetáculo, “em respeito ao público”, mas o que Lorena viu foi o Clássico do Circo na íntegra.

O grande encontro

GUARATINGUETÁ: Estes foram os dias em que o Cavalo-Marinho, teatro de rua de grande tradição no nordeste, encontrou a dança contemporânea dos mineiros Fábio Dornas e Carlos Arão, do grupo Movasse. Acompanhados pelas palmas do público, Helder e Fábio dançaram de improviso em Lorena, estampando admiração na platéia que acompanhava as evoluções contente com a surpresa. A performance foi registrada em vídeo pelo blogueiro. Em Guará foi a vez de Carlos Arão improvisar e integrar o espetáculo Espiral Brinquedo Meu.

De artista todo mundo tem um pouco

ARAÇATUBA: A oficina Risco, orientada pela artista plástica Mariana Rocha, que traz a proposta de resgatar uma galeria de artes volante aconteceu no dia 30, em Araçatuba, com a participação de artistas da cidade: literatos, músicos e gente do teatro.

- Quem é aquele de barbicha grande e cabelo de diva? (descrição de Jarbas feita por Tom Zé) – perguntavam-se, “por dentro”, os participantes. Tempos depois eles descobririam que o ilustre participante era Jarbas Mariz, da banda do Tom Zé.

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Quem também apareceu para mostrar seus dotes foi a Nilva, da GEAC (Gerência de Ação Cultural) do SESC São Paulo, que aproveitou a estada em Araçatuba para pincelar o papel em branco.

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Álbum de família

ARAÇATUBA: A cidade é terra do boi gordo, de pastos fartos, do radialista Bolinha e de uma parte generosa da família de Tom Zé. A 527 quilômetros de São Paulo está Everton, único filho de Tom, a nora Flávia e os netos João Gabriel, 5 anos e Maria Clara, 3.

- Não deu pra trazer o João, mas se ele tivesse vindo você teria que cantar de qualquer jeito “O Godô Ano 2000” – disse Flávia.

É a primeira vez que Everton assiste ao show do pai, na cidade onde mora. Não foi surpresa.

- No palco a figura muda, parece que ele tem outra idade – disse Everton.

Como médico (ele é oncologista) Everton tenta dar pistas do vigor do pai para pular e subir e descer do palco com a disposição de um garoto:

 - Quando mais jovem ele viveu sem tanto reconhecimento. Isso que está acontecendo agora é a recompensa de uma vida inteira. Pena estar de plantão nos próximos dias, se não iria acompanhá-lo pelo resto do Circuito.

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Mais um post escrito pelos artistas

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MOGI MIRIM: Um beija flor salta da densa copa. Em seu tempo congelado, flagra o pôr-do-sol mais bonito que a cidade já teve e mergulha de volta do verde. Ouvindo os boatos, pardais, rolinhas e sabiás sobem aos pulinhos até o topo. A noticia se espalha, a árvore canta.

Texto de Marina Faria, da oficina Risco

Chico César faz show que vale por dois

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Show de Chico durou mais de duas horas 

LUCÉLIA: “Gostaria muito de ter tocado em Adamantina”, relata Chico César para o público. Devido ao imprevisto da chuva, Chico não cantou por lá, mas no Tênis Clube de Lucélia agradeceu aos adamantinenses que foram até a cidade vizinha, cerca de 11km, para prestigiar a apresentação.

Antes do show ser realizado foi feita a montagem de equipamento, passagem de som e teste de iluminação. O cuidado é tanto que este preparo começou 3h30min antes da entrada de Chico no palco. Sobre o local, Ana Nunes, produtora do cantor, comenta que há um “contraste de construção antiga com algo moderno como o telão”. Nunes finaliza ao dizer que o Clube “é visualmente perfeito”. Fernando Narcizo, técnico de som do músico, fala que em lugares como esse, amplo e com muitas paredes, pode haver um “efeito de reflexão de som [semelhante ao eco], por isso é preciso mixar mais baixo”.

Já com o show acontecendo, Chico puxou algumas frases típicas de festa junina como “olha a cobra” e “olha a chuva”. O público, animado, soltava gritinhos nesses e em outros instantes. Até em pequenos segundos em que as luzes se apagaram, a banda, o cantor e a platéia continuaram com todo o gás. E quem diz que a apresentação se encerra no final? Nana-nina-não! As pessoas pediram bis e eles voltaram ao palco pra encerrar, agora de verdade. A última música foi um frevo que colocou todos para pular.

Um dos mais animados foi Maciel Santana, estudante do último ano de nutrição, que também poderia ser dançarino devido a disposição mostrada. “Foi sensacional. Eles mudam de ritmo e você acompanha”, diz Santana.

Direto de Lucélia

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LUCÉLIA: O Circuito movimentou a cidade. Na entrada do Tênis Clube de Lucélia havia pipoqueiros e vendedores de lanches, doces e brinquedos. O cenário da noite estava propício para a diversão. As crianças ficaram com os olhinhos brilhando ao ver a publicação Risco, livro com trabalhos de arte contemporânea. A intenção da revista é incentivar o interesse pela arte, por meio do desenho e da colagem. Na obra há páginas em branco para que o leitor faça um trabalho artístico próprio. Segundo o responsável pelo workshop de artes visuais, Pedro Pessoa, aluno do terceiro ano do curso superior de design gráfico, o propósito é mais assimilado “quanto mais simples for a oficina”. No local houve distribuição de 50 livros do Risco para adolescentes, adultos, e é claro, para os pequenos.

Se futuramente algum artista-mirim trabalhará com artes, Pedro comenta que a “porcentagem é pequena”, mas crê que sim. Carolina, 8, fez colagens e diz que vai mostrar para os pais. Luciana Madureira, mãe de Isabela, de 2 anos e 5 meses, fala que projetos como esses estimulam a criatividade e realmente “tem que começar de cedo”. 

A noite em Lucélia ainda teve mais encantamento com a Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros, que apresentaram o espetáculo de dança Intersecções. Os movimentos dos artistas aconteceram em diversas partes do Clube, sem um roteiro a ser seguido. A ordem foi inovar. De acordo com Renato Toledo, que assistiu à dança, este tipo de manifestação artística “é uma cultura que o interiorano não conhece, mas que consegue perceber que há uma mensagem” a ser transmitida. As crianças que estavam no local seguiram os bailarinos e chegaram a executar manobras corporais junto aos artistas.

O show não pode parar

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PIRASSUNUNGA: O espetáculo não deve atrasar. Carros e vans têm dificuldade para chegar no teatro. “Super Conrado”, o motorista da van, não pensa duas vezes: ajuda estacionando o carro em uma rua distante, em suas mãos carrega o figurino que será utilizado na dança “Cantinho de Nóis”. Atravessa as calçadas e ruas da cidade, com cabides de roupas, parecendo um mascate vendendo as peças, mas consegue chegar até o teatro.

Despertar com Risco

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SÃO JOÃO DA BOA VISTA: Eduardo, artista colaborador do projeto Risco, convencendo os trabalhadores do comércio local a participarem da “galeria de arte volante”, após uma longa jornada de trabalho no final da tarde de quinta-feira. Muita gente cansada e assustada após uma noite exaustiva, chuvosa e escura, a cidade começa a voltar ao normal e relaxar criando arte na cidade.

Crianças no teatro

LUCÉLIA: A escola Navarro de Andrade recebeu toda a magia do musical Osquindô. O pátio do colégio virou um grande palco de teatro com crianças de primeira a quarta séries como espectadores. Também houve presença de funcionários, pais e convidados.

Os estudantes permaneceram sentados no chão e a todo momento prestaram atenção na peça. Luan César Benini, 9, é aluno da 3ª série, e timidamente diz que gostou mais “das músicas, mesmo”. Mas, além das cantigas, há espaço para diversas brincadeiras, como a clássica “vaca amarela”: e ai se alguém falar alguma coisa durante este tempo do jogo!
De acordo com a diretora da escola, Vera Lúcia Rigatto, nem sempre os pais conseguem levar os filhos ao teatro. Ela ainda ressalta a importância da presença cultural no meio educacional, pois com os alunos juntos “há mais eficiência” do que se eles estivessem em outro local. Rigatto fala que a peça foi “maravilhosa e as crianças ficaram encantadas”.
Jô Alves, que interpreta Jojoba em Osquindô, conversou com o público ao final da apresentação. Para ela “o trabalho só se completa com isso”. Alves espera que os estudantes guardem o espetáculo na memória.

Em tempo: Devido a tarde e noite chuvosas, as demais exibições programadas tiveram que ser canceladas. O show de Chico César, a peça O Pregoeiro e a mostra de dança Intersecções seguem na programação da cidade de Lucélia. Ainda haverá oficina de artes visuais e exposições de fotografia, literatura e cinema. Osquindô também se apresenta no município.